Sobre
A Jazida de Icnofósseis da Pedra da Mua, situada no Cabo Espichel, é um dos mais notáveis sítios paleontológicos de Portugal e da Europa. Formada entre 150 e 140 milhões de anos atrás, durante o Jurássico Superior, conserva em lajes calcárias as marcas deixadas por dinossáurios saurópodes, alguns deles com dezenas de metros de comprimento. As pegadas encontram-se organizadas em trilhos paralelos, revelando comportamentos de deslocação em grupo, facto que contribuiu para a compreensão do modo de vida destes gigantes.
O enquadramento geológico da jazida está ligado à história da Serra da Arrábida, resultante de processos de inversão tectónica que expuseram sequências sedimentares depositadas entre o Triássico e o Cretácico. Nessas camadas alternam-se rochas calcárias, margosas e detríticas, que registam milhões de anos de transformações ambientais, desde antigas planícies costeiras até fundos marinhos.
A singularidade da Pedra da Mua não se limita à ciência. Durante séculos, os trilhos fossilizados foram interpretados pelos locais como “pisadas de animais sagrados”. Essa leitura deu origem à Lenda da Nossa Senhora do Cabo, segundo a qual uma mula teria subido as falésias transportando a imagem da Virgem, deixando impressas as suas pegadas na rocha. Esta tradição atraiu peregrinos desde a Idade Média e esteve na origem do desenvolvimento do Santuário do Cabo Espichel.
Reconhecendo o seu valor excecional, a jazida foi classificada como Monumento Natural em 1997 (Decreto-Lei n.º 20/97, de 7 de maio). Atualmente, é um espaço protegido e visitável, onde se cruzam ciência, história e espiritualidade, oferecendo uma experiência singular de contacto com o património geológico e cultural da região.
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